Policiais que fizeram ocorrência do atropelamento prestam depoimento
28 July 2010 às 12:50 horas .
Já os policiais suspeitos de cobrar propina estão presos preventivamente.
Pai de Rafael Mascarenhas tocou saxofone durante a missa de 7ª dia.
Os policiais que fizeram o registro do atropelamento do músico Rafael Mascarenhas na madrugada de terça-feira (20) prestam depoimento na 15ª DP (Gávea).
Já o cabo da Polícia Militar Marcelo Bigon e o sargento Marcelo Leal, acusados de liberar o carro do jovem que atropelou Rafael, de 18 anos, foram transferidos por volta de 1h desta quarta-feira (28) para Unidade Prisional da Polícia Militar, em Benfica, no subúrbio do Rio. Mais cedo, a Justiça Militar do Rio decretou a prisão preventiva dos dois.
Segundo a Polícia Militar, eles vão permanecer por 30 dias na Unidade Prisional.
O advogado do cabo Marcelo Bigon , Claudenor de Brito Prazeres, que está na 15ª DP, informou que terá que ser feito um novo pedido para que os dois policiais presos prestem depoimento na Polícia Civil. Ele comentou o caso.
“Eu acredito que a estratégia de defesa da família Bussamra está sendo muito bem feita para desviar o foco das investigações da família para os PMs. Eu ainda não tive acesso à perícia e a reconstituição, mas eu acredito que os jovens estavam batendo um ‘pega’”, disse Claudenor.
A delegada da 15ª DP, Bárbara Lomba informou que enviou a intimação para o 23º BPM (Leblon), e que agora será feita uma nova solicitação ao Batalhão Prisional da Polícia Militar, em Benfica para que os dois policiais compareçam à delegacia. Ela disse ainda que isso dificilmente vai acontecer nesta quarta-feira (28).
Rafael Mascarenhas, filho caçula da atriz Cissa Guimarães com o músico Raul Mascarenhas, morreu atropelado na madrugada de terça-feira (20), enquanto andava de skate com amigos no Túnel Acústico, na Gávea, na Zona Sul.
Pai de Rafael toca saxofone em missa de 7º dia
Rafael Mascarenhas foi homenageado em uma missa de sétimo dia na noite de terça-feira (27), em Ipanema. O pai do jovem tocou uma música que fez para o filho ao saxofone. (Veja a homenagem no vídeo ao lado)
“Esse sax era dele, eu mesmo mandei pra ele, mas ele escolheu outro instrumento (Rafael tocava guitarra). Que o meu anjo esteja no céu. É muita emoção, muita dor. Eu agradeço todo o apoio. É duro”, disse Raul já do lado de fora da igreja.
A atriz Cissa Guimarães se emocionou durante toda a missa.
Propina
Em depoimento, Roberto Bussamra, pai de Rafael Bussamra, contou que o filho foi coagido a pagar propina para os policiais.
A delegada Bárbara Lomba, da 15ª DP (Gávea), afirmou que os policias podem ser acusados por corrupção passiva e Rafael e Roberto Bussamra por corrupção ativa. Rafael Bussamra ligou para o pai, Roberto, que pagou R$ 1 mil aos policiais após o acidente. O pedido dos policiais, segundo ele, teria sido de R$ 10 mil.
A delegada Bárbara Lomba, da 15ª DP (Gávea), afirmou que os policias podem ser acusados por corrupção passiva e Rafael e Roberto Bussamra por corrupção ativa. Rafael Bussamra ligou para o pai, Roberto, que pagou R$ 1 mil aos policiais após o acidente. O pedido dos policiais, segundo ele, teria sido de R$ 10 mil.
Novo depoimento do carona
O jovem André Liberal, que estava no banco do carona do atropelador de Rafael Mascarenhas prestou um novo depoimento na 15ª DP (Gávea), nesta terça-feira (27).
O advogado Paulo Márcio Klein, que defende o rapaz, revelou que seu cliente teve medo de entrar no carro dos PMs e que ele não sabia da negociação de propina. Segundo Klein, o estudante contou à delegada Bárbara Lomba que não olhou o velocímetro do carro de Rafael Bussamra, mas teve a sensação que o carro estaria a 90 km/h.
Paulo Márcio Klein afirmou, ainda, que o carro onde estava Rafael, assim como os carro dos amigos que o acompanhavam, não receberam multas por excesso de velocidade nas proximidades e na entrada do Túnel Acústico, onde aconteceu o acidente. Segundo o advogado, o carro do atropelador estava um pouco à frente do outro veículo dos amigos.
Polícia reconstitui acidente em túnel
A Polícia Civil do Rio fez na madrugada desta terça-feira (27) a reconstituição do atropelamento que provocou a morte de Rafael Mascarenhas. A chamada reprodução simulada mostrou que os carros seguiram emparelhados momentos antes do acidente. Segundo os investigadores, Rafael Bussamra, que confessou que atropelou o músico, admitiu que estava a, pelo menos, 90 km/h.
O trabalho nos túneis Acústico e Zuzu Angel, que ligam a Gávea a São Conrado, na Zona Sul do Rio, durou mais de cinco horas. Além de Rafael Bussamra, os três rapazes que estavam com ele e dois amigos do músico, ambos skatistas, participaram da reprodução simulada. Dois irmãos do músico também acompanharam as investigações.
Os policiais militares que interceptaram o motorista envolvido no atropelamento do músico não foram chamados para participar da reconstituição.
Os peritos fizeram novas medições e usaram um reagente químico para tentar encontrar manchas de sangue que apontariam o ponto exato do atropelamento. Cada um dos envolvidos foi ouvido separadamente. Entre outros pontos, a polícia quer esclarecer qual a velocidade em que os carros estavam e se os jovens participavam de um “pega”.
Fonte: G1





