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Polícia de Minas indicia Bruno por cinco crimes

30 July 2010 às 08:46 horas .

Polícia de Minas indicia Bruno por cinco crimes

Goleiro pode pegar 33 anos de prisão por homicídio, sequestro, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menor. Mais oito suspeitos são acusados

Rio – O goleiro Bruno e mais oito acusados do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-amante do atleta, foram indiciados ontem pela Polícia Civil de Minas Gerais. O jogador poderá responder pelos crimes de homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores, cujas penas somadas chegam a 33 anos de prisão.

Foto: Alex de Jesus / O Tempo
Com o cabelo raspado, Bruno esteve no Departamento de Investigações | Foto: Alex de Jesus / O Tempo

Resultado de um inquérito de oito volumes, com 1.600 páginas e três anexos, o relatório final da polícia mineira, que será encaminhado hoje à Justiça, indicia ainda mais sete suspeitos pelos mesmos crimes: Luiz Henrique Romão, o Macarrão; a mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza; o primo Sérgio Rosa Sales; a amante Fernanda Gomes de Castro; Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; e o caseiro Elenilson Vitor da Silva.

Já o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Neném ou Bola, poderá responder por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Se condenado pelos crimes, a pena máxima é de 36 anos de reclusão.

Apesar de cada um ter participado de formas diferente na trama, como apontam os depoimentos e as provas técnicas obtidas pela polícia e reveladas por O DIA no domingo, todos vão responder pelos mesmos crimes. O delegado Edson Moreira, que preside o inquérito, entendeu que todos se uniram com o objetivo final de matar Eliza. Já Neném foi o responsável pela execução da jovem de forma cruel, segundo a polícia mineira.

“Desde o início eles agiram para tirar a Eliza do Rio e trazê-la para Minas. O objetivo sempre foi desaparecer com ela. E não apenas aplicar um susto, porque eles sabiam que se a soltassem, ela iria denunciá-los. O Bruno era o ídolo do grupo e Eliza estava prejudicando o ídolo deles”, disse um dos delegados que participou da investigação. “Por três semanas, antes de começarmos a investigar o desaparecimento, todos acharam que tinham cometido o crime perfeito, mas se enganaram. O inquérito está robusto, há provas de que Eliza está morta e de que Bruno foi o mandante. Ele era o principal interessado na morte dela”, completou.

No inquérito a que O DIA teve acesso, há provas técnicas (obtidas através de rastreamento de carros e telefonemas), testemunhais — há seis depoimentos que indicam que Eliza e Bruno estiveram juntos no sítio nos dias que antecederam ao crime — e materiais, como o sangue da jovem encontrado na Range Rover do goleiro.

Juíza: ‘palco dos horrores’

Foto: Reprodução
Eliza sumiu após deixar hotel no Rio com amigo e primo de Bruno | Foto: Reprodução

“Certamente acreditam que praticaram o crime perfeito. Ledo engano”. A frase consta no despacho da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, que decretou a prisão preventiva da maioria dos acusados, no dia 7. É provável que a magistrada seja a responsável por julgar o caso.

“Não se trata de um caso de desaparecimento, mas de homicídio qualificado, ardilosamente arquitetado para dar fim à vida de Eliza, figurando no palco dos acontecimentos como principal suspeito a pessoa de Bruno Fernandes, com quem a vítima teve um filho não reconhecido”, disse a juíza, que classificou o crime como “palco de horrores”.

Atleta raspa e queima cabelo na cadeia

Bruno raspou ontem o cabelo na cela onde está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Em seguida, pediu aos agentes penitenciários que queimassem os fios, para evitar a utilização do material em exames de DNA. Macarrão, na cela ao lado, fez o mesmo procedimento.

Já careca, o goleiro e mais sete acusados do desaparecimento de Eliza foram levados ao Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte, onde foram “identificados criminalmente”.

“Cortar os cabelos é um procedimento normal, como escovar os dentes. Mas ele pediu para que fossem queimados por precaução. Para evitar que, de alguma forma, surgissem cabelos dele em outro local, como na suposta cena do crime”, disse o advogado Ércio Quaresma, que defende o atleta e mais cinco suspeitos.

Fonte: G1

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